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Mostrando postagens de abril, 2021

Estudante de Medicina e a Pandemia

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  Caros leitores, esta é a primeira vez em muito tempo que não escrevo um texto. Creio que a última vez foi há 5 anos, no vestibular para o ingresso na tão sonhada Faculdade de Medicina de Taubaté (FMT/UNITAU).             Não sei se conhecem como funciona ou como dividimos o Curso de Medicina, então irei elucidar um pouco sobre o assunto. São 6 anos de graduação, divididos em 3 ciclos – o Ciclo Básico, o Ciclo Clínico e o Internato. O Ciclo Básico corresponde aos 2 primeiros anos da graduação, período em que damos os primeiros passos neste mundo completamente novo e extenso que é a Medicina – são 55 especialidades médicas reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e mais 59 possíveis áreas de atuação.             O Ciclo Básico serve como um suporte para os anos subsequentes, pois é nele que estudaremos toda a anatomia e fisiologia humana (as estruturas do ...

E a nossa Saúde Mental?

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              Infelizmente, sabe-se que a ideação suicida é extremamente comum entre os Profissionais da Saúde, principalmente entre a parcela feminina que compõe a classe Médica, e muitos se perguntam o porquê. Pensando então em debater tal assunto imensamente importante, porém sem a devida importância em nosso meio, podemos começar pensando que o problema se inicia com a grande expectativa que recai sobre tais profissionais desde o início da carreira acadêmica, exigindo uma maturidade psicológica a qual não é sequer citada durante a graduação. Os profissionais são confrontados com situações de extrema complexidade desde o início da faculdade e não são preparados para isso. O estudante faz uma progressão muito intensa entre a formação tecnicista e o atendimento ao público. Ao se deparar com a realidade da Saúde Pública no Brasil, experimenta um enorme sentimento de impotência, uma vez que os agravos sociais são inúmeros, e, às vezes, maiores ...

Qualidade da Alimentação de Profissionais da Saúde da Rede Pública

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  No modelo capitalista, o processo de trabalho organiza a vida dos trabalhadores, que, além de ocupar importante parcela de suas vidas, garante a sobrevivência, sendo o meio de colocar em prática os conhecimentos e as aptidões desenvolvidas e de simbolizar a utilidade humana na sociedade. Entre os profissionais de saúde a jornada de trabalho é ainda mais intensa, indo de 6 à 12h de trabalho seguidos. As longas jornadas podem levar à exaustão, níveis elevados de estresse e fadiga, interferindo diretamente nas relações sociais e na alimentação desses profissionais durante e após o expediente. Além disso, em função da predominância feminina, a jornada de trabalho profissional se adiciona ao trabalho doméstico, compondo a chamada jornada total ou carga total de trabalho. Em decorrência da alta demanda, a qualidade na alimentação desses profissionais tem demonstrado falhas. Em locais com circulação recorrente de pacientes como UBS e ESFs a preferência por alimentos rápidos e práti...

Como Está a Saúde Mental dos Profissionais da Saúde Após 1 Ano do Primeiro Caso de Covid no País?

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  Bom, considero que tive o "azar" de entrar para o SUS dois meses antes de iniciarmos com as medidas de proteção e isolamento social devido à Covid. Como ACS, nunca tinha trabalhado na área da saúde antes e não tinha nenhuma experiência nem com a saúde, nem com o atendimento ao público. Digamos que essa nova função exercida, justamente nesta época, tem sido um desafio enorme para mim. Quem passa a ser da área da saúde no nosso Sistema Público, sabe que nenhum dia é igual ao outro, e que pode acontecer de um tudo ao longo do seu dia de trabalho. Há quem te agradeça pela atenção e serviço, há quem acabe com seu dia por ser de alguma forma contrariado, há quem desmaie, chore, tenha convulsões. O trabalho de um ACS é basicamente realizar visitas domiciliares, fazer a busca ativa de faltosos, dar uma atenção especial aos grupos que demandam de mais cuidado, como crianças, gestantes, acamados e doentes crônicos, e realizar palestras, encontros que tenham um fim educativo. No...

Cuidado e Acompanhamento ao Recém Nascido em Saúde

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  A atenção à saúde do RN inicia-se antes de seu nascimento, com o adequado acompanhamento pré-natal materno para identificar os possíveis fatores de risco e doenças que poderão ser amenizadas durante a gestação, e também com o acesso à atenção qualificada ao parto, ou seja, fornecimento do parto fisiológico, evitando-se intervenções desnecessárias e promovendo o contato mamãe-bebê imediato após o parto saudável. De acordo com as recomendações do ministério da Saúde, as consultas pediátricas deverão ocorrer na primeira semana de vida, 1 mês, 2, 4, 6, 9, 12, 18 e 24 meses. Após os dois anos de idade, poderão ser feitas anualmente.  Essas consultas são de direito do usuário do Sistema de Saúde e poderão ser agendadas na Unidade Básica de Saúde, possuem como objetivo atuar na prevenção e promoção da saúde, atuando para manter a criança saudável e para garantir seu pleno desenvolvimento. Nas comunidades que possuem o programa de Estratégia da Saúde da Família, o agendamento ...

Vacinação e Acompanhamento do Desenvolvimento do Bebê

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     Como é a rotina de acompanhamento do desenvolvimento do bebê de 0 a 2 anos? Qual é a importância desses primeiros cuidados e intervenções?      Logo ao nascer, o bebê já toma suas primeiras vacinas e realiza os seus primeiros testes (como o do pezinho, orelhinha e olhinho) no hospital e tem sua primeira consulta como recém-nascido agendada na sua Unidade Básica de Saúde. Para que a criança cresça e se desenvolva bem, o Ministério da Saúde recomenda a seguinte periodicidade para as consultas de rotina: 1 semana, 1 mês, 2 meses, 4 meses, 6 meses, 9 meses, 12 meses, 18 meses e 24 meses. Após 2 anos, a criança tem suas consultas mais espaçadas, sendo uma ou duas vezes ao ano dependendo da necessidade de acompanhamento da criança.      Já em relação às vacinas, o bebê deve imunizado ao nascer, aos 2, 3, 4, 5, 6, 9, 12 e 15 meses, sendo protegido de doenças como paralisia infantil, sarampo, tétano, difteria, caxumba, rubéola, tuberculose, grip...

Abuso Sexual Infantil e Violência

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Como podemos identificar um abuso físico e ou/sexual? Como agir com a criança e o que fazer após essa identificação?      Lembro-me bem daquele dia em que uma avó me pediu orientações sobre o agendamento de exames de sangue da neta. Ao olhar rapidamente para os papéis não pude deixar de notar os tipos de exames que foram pedidos: HIV, Sífilis, Hepatites, dentre outros. Logo me dei conta de que, infelizmente, se tratava de uma situação de abuso sexual infantil. A menina tinha cerca de 9 anos, era bem quieta, não conseguia se comunicar e quando o fazia, era com dificuldade.      Esse foi o primeiro dos vários casos de abuso que presenciei dentro da UBS (Unidade Básica de Saúde). Todos tem algo em comum: Existe a figura que abusa, a que denuncia, e a criança, que carrega consigo várias sequelas físicas, emocionais e comportamentais. Em uma época em que as crianças não veem os parentes com tanta frequência e praticamente não frequentam presencialmente a ...

Vacinação e um Chamado à Informação

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  De acordo com uma notícia veiculada hoje no dia 13 de abril de 2021 pelo editorial do Jornal O Estado de São Paulo, mais de 1,5 milhão de pessoas que deveriam retornar para uma segunda dose da vacina para Covid-19 não o fizeram ainda. Ao ler esse artigo, alguns pensamentos me vêm à mente: será que as pessoas foram bem orientadas quanto a importância do retorno da segunda dose? Será que as pessoas acreditam que a segunda dose não serve após uma dose já feita? Será que houve esquecimento dessas pessoas? Será que as pessoas esqueceram o comprovante em algum lugar e não os acham mais? Será que as esperas em fila para tomar a vacina não são toleradas pelas pessoas?  Ou será que o risco de ir ao postinho e serem dispensados sem tomar a vacina por algum motivo seja muito provável, e isso leva as pessoas a adiarem o retorno? Todas essas minhas dúvidas, que são até cabíveis, me fazem pensar no dia-a-dia do brasileiro médio, de cada nível socioeconômico. Assim, tento fazer um exer...

Os Desafios de se Viver em Comunidade em uma Pandemia

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  Thomas Hobbes foi filósofo e autor de Leviatã, livro que publicou em 1651 para fazer uma crítica à sociedade da época. Foi nesse livro que Hobbes escreveu a célebre frase "o homem é o lobo do homem", e com ela quis dizer que o homem é um ser egoísta e individualista, e que não possui uma disposição natural para a vida em sociedade. Me pergunto muitas vezes por que é tão difícil viver em sociedade, e por que o senso coletivo é muito presente em alguns países e em outros não. Vivemos em ambientes urbanos e exercemos diferentes papéis na sociedade; somos profissionais, clientes, consumidores, patrões, filhos, pais, e isso mostra claramente que vivemos em uma rede de interações que possibilitam que nós consigamos ter alimentos, água limpa, segurança e moradia. Temos família, amigos, vizinhos, conhecidos e pessoas que nem conhecemos, mas que estão presentes todos os dias nas nossas vidas – o agricultor, o transportador que traz os alimentos até nós...   Falando em transpor...