Orgânicos, Por Que Não?

 


    Como Gestora Ambiental, e por experiência pessoal, sou suspeita para falar sobre os produtos orgânicos. Durante a graduação, aprendemos sobre a revolução verde, que fez aumentar substancialmente a produção agrícola, sendo muito importante para acompanhar o crescimento acelerado da população.

                No entanto, toda inovação deve ser questionada e avaliada continuamente. Atualmente somos um grande produtor de alimentos e o agronegócio é responsável por grande parte do PIB do nosso país. Mas qual é o preço que estamos pagando?

                A agricultura é o setor que consome mais água no país, superando os setores industrial e urbano. É também, junto à pecuária, responsável por grande parte do desmatamento das nossas florestas. Não menos importante que isso, ela também empobrece o solo e contamina os rios e o solo com o carreamento de terra, adubos e agrotóxicos pela chuva.

                Também temos os fatores social e econômico: me deparei com o social ao viajar para a região sul do Brasil, quando descobri que a incidência de câncer em agricultores é altíssima, principalmente quando olhamos para décadas atrás, em que não se tinha o conhecimento dos efeitos dos agrotóxicos na saúde humana e não se utilizava a proteção adequada.

                Já o preço econômico, por sua vez, é a monopolização de terras e renda, já que os pequenos agricultores na maioria das vezes não conseguem competir com os grandes latifundiários - ou eles se unem em cooperativas, ou migram de setor.

                Bom, a agricultura virou um negócio, e bem lucrativo, por sinal. O Brasil apresenta vocação para a agricultura: temos solo fértil, terra e água em abundância. Não quero criticar o que está “dando certo” para nós. O que questiono é a forma com que o agronegócio vem sendo desenvolvido.

                Hoje, é um dos setores que mais investe em tecnologia e inovação, o que é ótimo. É um setor, também, que vem se reinventando pelas críticas e consequências do modelo que citei anteriormente, e é nessa reinvenção que surgem os produtos orgânicos: alimentos produzidos sem pesticidas e agrotóxicos, sendo sua produção baseada no cuidado do solo e nas características de cada espécie.

                De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), os agrotóxicos podem causar efeitos crônicos como dificuldade para dormir, esquecimento, aborto, impotência, depressão, problemas respiratórios graves, alteração do funcionamento do fígado e dos rins, anormalidade da produção de hormônios da tireoide, dos ovários e da próstata, incapacidade de gerar filhos, malformação e problemas no desenvolvimento intelectual e físico das crianças, câncer.

                Lendo esses efeitos, me pergunto se os meus entrevistados na UBS que apresentam alteração na tireoide (que são muitos), possuem esses distúrbios devido aos produtos químicos nos alimentos.

                Por diversos motivos, principalmente pelos benefícios à saúde e por serem menos danosos ao meio ambiente, os orgânicos estão ganhando cada vez mais espaço na mesa dos brasileiros. Cada vez mais populares e com técnicas mais aprimoradas de produção, eles se tornam mais disponíveis e chegam com um custo menor ao consumidor final.

    Para mim, a alimentação é a base de uma boa saúde e devemos ser mais críticos em relação à origem e qualidade dos alimentos que estamos ingerindo. Afinal, como muitos dizem, somos o que comemos.

 

                Links do Instagram de dois produtores orgânicos que atendem a região de Jacareí e São José dos Campos:

https://www.instagram.com/tudo.daroca/

https://www.instagram.com/p.s.agricultura/

 

Gisele Paiva, ACS


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