Qualidade da Alimentação de Profissionais da Saúde da Rede Pública

 


No modelo capitalista, o processo de trabalho organiza a vida dos trabalhadores, que, além de ocupar importante parcela de suas vidas, garante a sobrevivência, sendo o meio de colocar em prática os conhecimentos e as aptidões desenvolvidas e de simbolizar a utilidade humana na sociedade. Entre os profissionais de saúde a jornada de trabalho é ainda mais intensa, indo de 6 à 12h de trabalho seguidos.

As longas jornadas podem levar à exaustão, níveis elevados de estresse e fadiga, interferindo diretamente nas relações sociais e na alimentação desses profissionais durante e após o expediente. Além disso, em função da predominância feminina, a jornada de trabalho profissional se adiciona ao trabalho doméstico, compondo a chamada jornada total ou carga total de trabalho.

Em decorrência da alta demanda, a qualidade na alimentação desses profissionais tem demonstrado falhas. Em locais com circulação recorrente de pacientes como UBS e ESFs a preferência por alimentos rápidos e práticos tem prevalecido: salgados, fast food e ultra processados fazem parte da dieta desses profissionais. Somados ao estresse, tais alimentos desencadeiam problemas pulmonares, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemias, diabetes, câncer entre outras patologias.

Um estudo feito com profissionais da saúde na atenção primária de Montes Claros, MG (“promotion of healthy eating among health professionals in primary care”) demonstrou que a alimentação destes era baseada em arroz, feijão associados com alimentos considerados ultra processados com alto teor de gordura, sódio, açúcar e calorias e baixo teor nutricional.

Esse mesmo estudo, através de 4 workshops, abordou a importância da alimentação saudável por meio do Guia Alimentar para a População Brasileira e os 10 Passos para a Alimentação Saudável publicados pelo Ministério da Saúde. Pode-se assim concluir que a experiência da implementação de ações educacionais em alimentação saudável torna possível a construção de novos conceitos sobre o tema entre os profissionais da saúde na atenção primária, e que representam uma ferramenta para mudar a realidade das práticas em nutrição dentro em fora das UBS e ESFs.

Tendo em vista que a jornada de trabalho desses profissionais tem aumentado cada vez mais pela demanda das Campanhas de Vacinação contra COVID-19 e Influenza, os assuntos relacionados à saúde do trabalhador e alimentação devem ser cada vez mais estudados e apresentados, buscando a melhor condição e satisfação do profissional, para que isso se reflita diretamente na qualidade da assistência prestada ao paciente.

Você, leitor do blog IABS, seja estudante, profissional da saúde, professor ou paciente usuário do SUS pode acessar o artigo utilizado no texto e o Guia Alimentar para a População Brasileira nos links abaixo:

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf

https://www.redalyc.org/jatsRepo/408/40849609019/html/index.html

Fernanda Fernandes


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