Vacinação e um Chamado à Informação
De acordo com uma notícia veiculada hoje no dia 13 de abril de 2021 pelo
editorial do Jornal O Estado de São Paulo, mais de 1,5 milhão de pessoas que
deveriam retornar para uma segunda dose da vacina para Covid-19 não o fizeram
ainda.
Ao ler esse artigo, alguns pensamentos me vêm à mente: será que as
pessoas foram bem orientadas quanto a importância do retorno da segunda dose?
Será que as pessoas acreditam que a segunda dose não serve após uma dose já
feita? Será que houve esquecimento dessas pessoas? Será que as pessoas
esqueceram o comprovante em algum lugar e não os acham mais? Será que as
esperas em fila para tomar a vacina não são toleradas pelas pessoas? Ou será que o risco de ir ao postinho e serem
dispensados sem tomar a vacina por algum motivo seja muito provável, e isso
leva as pessoas a adiarem o retorno?
Todas essas minhas dúvidas, que são até cabíveis, me fazem pensar no
dia-a-dia do brasileiro médio, de cada nível socioeconômico. Assim, tento fazer
um exercício empático para ver o porquê dessa situação existir nas condições
que estamos hoje em dia no País.
A princípio, estamos já bombardeados de fatos e informações que falam da
importância da vacinação como a melhor e aparentemente a única forma de se
evitar a piora da epidemia de Covid-19. As vacinas de Oxford/AstraZeneca e a
Coronavac, distribuídas até agora no Brasil, são aplicadas em duas doses, com
intervalos distintos e, para alcançar a eficácia observada nos estudos, o
esquema vacinal precisa ser seguido à risca.
Dito isto, a não aderência, ou mesmo uma “aderência incompleta” à
vacinação, poderão acarretar em um maior tempo necessário para que consigamos
sair da situação atual – de incerteza, mortes, falta de recursos de toda sorte,
impossibilidade de voltarmos a uma vida próxima ao que tínhamos até antes de
2019.
Como forma de se melhorar essa situação, vejo que os meios mais
adequados são a notícia com credibilidade, as informações precisas, integridade
jornalística, o prático acesso a informação e conhecimento, de forma ordenada e
simples.
Dessa forma nós poderemos programar as nossas vidas e conseguir de fato
exercer conscientemente nosso viver no Brasil e tomarmos as melhores decisões
para nossas vida e família.
A informação e o conhecimento bem dado evitariam que a população ficasse
a mercê de notícias falsas ou “fake news”, sendo assim manipulados por aqueles
que usam dessas informações alteradas ou enviesadas para benefícios de
inescrupulosos sem caráter.
É muito custoso se ter tantas mortes evitáveis por covid-19; é
inaceitável comprometer anos à frente para pagar mais dívida pública com
impostos cada vez mais altos para nós mesmos, nossos filhos, netos, e é
inconcebível que se transmitam informações falsas assim à população, zombando e
desrespeitando a família brasileira
Então agora, sem termos um mínimo de certeza – que é um luxo nos tempos
de hoje, e não só no Brasil – será difícil termos um engajamento correto bem
como cidadãos que confiem de fato no sistema em que vivem
Com esses fatos em mente, surgiu a ideia do iABS, cuja proposta é servir
como um meio para melhor informar o cidadão brasileiro, não só como usuário do
SUS, mas como um agente de sua própria saúde, capaz de tomar decisões com mais
fundamento para si e para sua família, hoje e no futuro.
Um dos pontos primordiais na idealização do projeto iABS tange à melhora
na comunicação entre Sistema de Saúde e população – acreditamos que uma melhora
nessa relação poderá economizar muitas vidas e recursos para o Brasil e para as
futuras gerações de brasileiros.
Vemos então que precisamos muito de informações críveis a respeito de
saúde hoje em dia no Brasil, e a vacinação é só a ponta do iceberg de uma série
de problemas recorrentes dentro do sistema de saúde brasileiro.
Termino com os seguintes dizeres: "há conhecimento de dois tipos: ou
sabemos sobre um assunto, ou sabemos onde podemos buscar informação sobre ele".
Por isso idealizamos o projeto iABS: para fornecer o segundo tipo de
conhecimento aos brasileiros.
Lyu Saotome

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