Abuso Sexual Infantil e Violência
Como podemos identificar um abuso físico e ou/sexual? Como agir com a criança e o que fazer após essa identificação?
Lembro-me bem daquele dia em que uma avó me pediu orientações sobre o agendamento de exames de sangue da neta. Ao olhar rapidamente para os papéis não pude deixar de notar os tipos de exames que foram pedidos: HIV, Sífilis, Hepatites, dentre outros. Logo me dei conta de que, infelizmente, se tratava de uma situação de abuso sexual infantil. A menina tinha cerca de 9 anos, era bem quieta, não conseguia se comunicar e quando o fazia, era com dificuldade.
Esse foi o primeiro dos vários casos de abuso que presenciei dentro da UBS (Unidade Básica de Saúde). Todos tem algo em comum: Existe a figura que abusa, a que denuncia, e a criança, que carrega consigo várias sequelas físicas, emocionais e comportamentais. Em uma época em que as crianças não veem os parentes com tanta frequência e praticamente não frequentam presencialmente a escola, como fazer com que os casos sejam notados e denunciados? Um olhar atento e dedicado de quem convive com a criança é fundamental para reduzir a taxa de abusos.
Falar abertamente com a criança sobre as partes dos seus corpos que não devem ser tocadas por outras pessoas, incentivar que elas tenham confiança pra te dizer sobre situações estranhas e constrangedoras que ela possa vivenciar, saber como foi o seu dia, com quem ela conversou e sobre o que, saber se alguém a está ameaçando a não dizer algo, são medidas extremamente importantes para a prevenção desses abusos. O mesmo vale para casos de violência física. Um olhar atento sobre as dores e medos relatados pela criança evitaria tragédias como o do menino Henry e de tantos outras que convivem diariamente com seus agressores.
Enfim, o que devemos fazer é apenas denunciar e afastar a criança do abusador ou agressor? Não. O afastamento e a denúncia são as primeiras etapas de uma longa jornada que a criança e o cuidador terão que enfrentar. Primeiramente a denúncia deve ser feita para o Centro de Assistência Social da sua cidade, após isso, entra-se com o pedido da guarda da criança para que ela se afaste do agressor.
Também são fundamentais a identificação e tratamento das DSTs e traumas físicos, o acompanhamento psicológico, ginecológico e pediátrico, a criação de um vínculo que traga de volta o sentimento de confiança e segurança que a criança tinha com os seus cuidadores, e, principalmente, diálogos constantes com a criança para deixá-la ciente de que nada do que aconteceu foi culpa dela, são ações que farão com que a mesma se restabeleça e se sinta pouco a pouco, uma criança amada, protegida e amparada.
Gisele Paiva

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