Bem-estar e Saúde Afetados na Vida Estudantil
A fala da neurologista infantil Simone Amorim “O cérebro humano não mudou. O que mudou foi o ambiente em que a criança está crescendo e se desenvolvendo. Elas estão sendo expostas à tecnologia e ao conceito de realidade virtual desde o nascimento, praticamente, o que faz com que elas transitem com maior naturalidade por todo esse aparato e este conceito tecnológico”, permite fazer uma reflexão sobre o atual cenário em que cada vez mais crianças têm se desenvolvido, a realidade que se encontram e o fator emocional para o futuro.
Algumas crianças em idade escolar estão sujeitas ao estresse emocional devido às grandes adaptações que são levadas a fazer durante o seu desenvolvimento. Todavia, nem todas as crianças são submetidas ao mesmo nível de tensão emocional, mas tal cenário pode interferir em sua personalidade e estado no futuro.
Tendo em vista esse contexto, é possível interpretar que a princípio, com o passar dos anos, as crianças ficarão mais inteligentes devido ao avanço das tecnologias e complementação dos estudos, facilitando o aprendizado. Assim, é de senso comum que o acesso à tecnologia e à informação facilitaram a vida do ser humano. Todavia, observa-se que o uso destas, juntamente com o fator emocional, tem sido uma questão alarmante para os estudantes.
O uso descontrolado da tecnologia em ambiente escolar e familiar dificultam a socialização e, se utilizado de maneira incorreta, pode prejudicar o desempenho acadêmico. Uma pesquisa realizada com alunos da FGV (Fundação Getulio Vargas) de São Paulo e publicada recentemente pela “Computers & Education”, revista especializada britânica, relata a piora na aprendizagem associada à utilização intensa de smartphones. Cada cem minutos diários dedicados ao celular fazem com que um estudante recue 6,3 pontos na escala de QI (0 a 100). Dessa forma, tais questões podem desencadear uma série de fatores como frustrações, ansiedade e procrastinação.
Com isso, entende-se que a saúde mental e bem-estar na vida estudantil é delicada e complexa, sendo influenciada por fatores internos e externos. Como comentado anteriormente, as crianças apresentadas a esses estímulos podem ter dificuldades posteriormente. Além disso, o próprio nervosismo gerado pelo ambiente escolar e acadêmico impacta bastante a saúde mental das mesmas, devido às cobranças, medo do futuro, questões internas e influências familiares. Dessa forma, de acordo com o novo relatório do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), os alunos brasileiros estão entre os que ficam mais estressados durante os estudos — 56% dos entrevistados relataram o problema.
Essa questão pode ser evidenciada pelas desigualdades sociais no país, responsáveis pelas diferenças de estrutura e ensino de escolas públicas e particulares, o que gera tensão para o futuro e/ou competitividade do mercado de trabalho. Dessa forma, como conciliar a tecnologia da infância à vida adulta, lidar com sentimentos e proporcionar o bem-estar na vida estudantil? Inicialmente, deve-se utilizar as redes sociais e recursos tecnológicos de maneira consciente, a fim de evitar a procrastinação, dependência emocional e frustrações. Tal fato deve-se considerar também na infância, uma vez que o desenvolvimento de relações interpessoais, convívio e atividades recreativas são de extrema importância para a formação do indivíduo.
Em relação os sentimentos, é importante atentar-se ao autoconhecimento, entendimento e interpretação das emoções, muitas vezes, sendo necessário ajuda de profissionais, além da realização de atividades físicas, otimização do tempo, cuidados com redes sociais, a manutenção de interações interpessoais saudáveis e hábitos alimentares saudáveis a fim de proporcionar o bem-estar na vida dos indivíduos em qualquer fase.
Assim, evita-se e/ou minimiza-se os cenários como aparecimento súbito de comportamentos agressivos, dificuldade de concentração, depressão, ansiedade, dificuldades de relacionamento, dificuldades escolares, insônia e até o uso indevido de tóxicos. Também são reduzidos os problemas físicos relacionados ao estresse e problemas com emoções, por exemplo, obesidade, cáries, cefaleia, asma, diarreia, tiques nervosos, entre outros.
“Estudos mostram que nem sempre as maiores notas resultam em profissionais mais bem-sucedidos. A escola lida, sobretudo, com pessoas; é preciso e possível conciliar o conteúdo acadêmico com elementos do cotidiano”, diz o médico e professor Celso Lopes de Souza, criador do Programa Semente, que desenvolve métodos para aprendizagem socioemocional.
Angélica Veloso, Enfermagem Unitau.
Referências:
https://vitaclinica.com.br/blog-da-vita/afinal-as-criancas-estao-mais-inteligentes/
https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/ansiedade-estresse-altos-escolas-brasileiras/
Imagem: https://jornal.usp.br/ciencias/estresse-quando-a-faculdade-vira-maquina-de-moer-gente/

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