Os Desafios de se Viver em Comunidade em uma Pandemia
Thomas Hobbes foi filósofo e
autor de Leviatã, livro que publicou em 1651 para fazer uma crítica à sociedade
da época. Foi nesse livro que Hobbes escreveu a célebre frase "o homem é o
lobo do homem", e com ela quis dizer que o homem é um ser egoísta e individualista,
e que não possui uma disposição natural para a vida em sociedade.
Me pergunto muitas vezes por que
é tão difícil viver em sociedade, e por que o senso coletivo é muito presente
em alguns países e em outros não.
Vivemos em ambientes urbanos e
exercemos diferentes papéis na sociedade; somos profissionais, clientes,
consumidores, patrões, filhos, pais, e isso mostra claramente que vivemos em
uma rede de interações que possibilitam que nós consigamos ter alimentos, água
limpa, segurança e moradia.
Temos família, amigos, vizinhos,
conhecidos e pessoas que nem conhecemos, mas que estão presentes todos os dias
nas nossas vidas – o agricultor, o transportador que traz os alimentos até nós...
Falando em transporte, a greve dos
caminhoneiros anos atrás nos mostrou o quão delicada é a vida em sociedade, e a
atual pandemia tem nos mostrado ainda mais.
A mais recente campanha do
Ministério da Saúde aborda muito bem a teia de relações e interdependências que
temos uns com os outros – se me contamino com o vírus, posso contaminar outras
pessoas, que contaminam muitas outras que eu posso nem descobrir quem são.
Apesar de vivermos em um país que valoriza as
conquistas individuais, em que muitas vezes a família e os amigos são os que
mais prezamos e cuidamos, fica cada vez mais evidente que o coletivo é muito
mais amplo e complexo que podemos supor.
O coletivo contempla o motoboy que entrega a
sua comida, o motorista de Uber, de ônibus, o frentista do posto. Nós
precisamos uns dos outros, isso é cada vez mais evidente e necessário. Nós
podemos contaminar a outra pessoa, como também podemos consolar, dar força,
ajudar. Não importa quem seja. Está na hora de termos mais empatia, mais senso
de coletividade... como profissionais da saúde, como pessoas, como humanos.
Em um país tão diverso, desigual
e com opiniões tão divergentes como o nosso, nós precisamos encontrar o que nos
une, o que nos torna iguais, e resgatar esse senso de coletividade. É isso o
que nos salva todos os dias. E é isso o que vai nos salvar nessa pandemia.

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