Proteção e Segurança dos Profissionais de Saúde

A pandemia de COVID-19, originada da doença provocada pelo SARS-CoV-2, atinge os serviços de saúde impondo uma demanda extra de estruturas, equipamentos e recursos humanos. Tal cenário tem desafiado de maneira diferenciada os sistemas nacionais de saúde de diversos países, impondo confrontos para os gestores públicos.

A resposta à crise envolve necessariamente ações multidimensionais, incluindo a criação de um marco normativo específico, compra de insumos e equipamentos de proteção, a gestão e ampliação da capacidade do sistema e políticas específicas de treinamento dos recursos humanos.

Em relação ao Brasil, a presença de um sistema de saúde pública e universal, o Sistema único de Saúde (SUS), favorece uma resposta satisfatória para a pandemia. Entretanto, há uma pressão sobre o sistema de saúde no Brasil decorrente da demanda adicional gerada pela COVID-19, dificultando ainda mais o atual cenário.

Os profissionais de saúde, grupo composto por distintas categorias profissionais como médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, bem como funcionários da própria instituição como recepcionistas, profissionais de limpeza hospitalar, entre outros, estão diretamente envolvidos no atendimento às pessoas infectadas pela COVID-19 e, por este motivo, compõem um grupo de risco específico para a infecção.

Embora os profissionais de saúde representem menos de 3% da população na grande maioria dos países e menos de 2% em quase todos os países de baixa e média renda, cerca de 14% dos casos de COVID-19 relatados à OMS correspondem a profissionais de saúde, sendo que em alguns países a proporção pode chegar a 35%. 

É importante destacar também a taxa de transmissão entre estes profissionais, que gira em torno de 3,5 a 20%, e ressaltar que a mortalidade desse grupo está na faixa de 0,53 a 1,94%, expondo assim a preocupante realidade dos trabalhadores da saúde.

No entanto, a disponibilidade e a qualidade dos dados são limitadas, uma vez que se trata de uma doença recente, o que torna difícil a obtenção de dados para estatísticas. Isso e o fato de que não é possível estabelecer se os profissionais de saúde foram infectados no local de trabalho ou em ambientes comunitários, são pontos que devemos ter em mente ao analisarmos as estatísticas apresentadas.

A proteção dos profissionais de saúde é fundamental para garantir o funcionamento do sistema de saúde e da sociedade. No Dia Mundial da Segurança do Paciente, a OMS lembrou aos governos que os estes têm a responsabilidade legal e moral de garantir a saúde, a segurança e o bem-estar dos profissionais de saúde.

A Carta de Segurança do Trabalhador de Saúde da Organização apela a todos os Estados Membros e partes interessadas relevantes para que tomem medidas colaborativas visando estabelecer políticas e estratégias para a segurança dos profissionais de saúde e segurança do paciente.

Tal cenário destaca que as medidas de proteção coletivas e o uso de equipamento de proteção individual (EPI) – gorro, óculos de proteção ou protetor facial, máscara, avental impermeável de mangas compridas e luvas de procedimento – são imprescindíveis para minimizar os riscos de contato de trabalhadores de saúde com o vírus e garantir a segurança aos profissionais durante a assistência, porém, tratam-se de recursos finitos.

Além disso, a higienização correta e frequente das mãos, assim como evitar tocar superfícies como maçanetas das portas e botão de elevadores com as mãos enluvadas são pontos aos quais se deve atentar.

Sobre os riscos naturais de contaminação, outros fatores fazem parte da vivência dos profissionais de saúde em muitos hospitais, que necessitam lidar inclusive com a falta de estrutura e de equipamentos de segurança. Diante de todas essas situações, não é por acaso que um grande número de profissionais da área já faça parte das estatísticas de pessoas infectadas pelo coronavírus.

Dessa forma, é necessário que o gestor se responsabilize pelo oferecimento dos equipamentos de segurança, aprimore o programa de suprimentos médicos de reserva e possibilite o treinamento de todos os trabalhadores dos serviços de saúde sobre o uso correto dos EPIs, a sua retirada e descarte adequado e seguro.

 Tais atitudes devem ser adequadamente implementadas a fim de garantir estabilidade nos casos de incidência de novos casos e morte envolvendo profissionais de saúde, garantindo sua segurança e proteção, para que possam providenciar uma melhor assistência a seus pacientes.

“Nenhum país, hospital ou instituição de saúde pode manter seus pacientes seguros a menos que preserve a segurança de seus profissionais de saúde. A Carta de Segurança dos Trabalhadores da Saúde da OMS é um passo para garantir que os trabalhadores da saúde tenham as condições de trabalho seguras, treinamento, remuneração e respeito que merecem”.                                                                                                                                                              

Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS. 

 

Angélica Veloso, Enfermagem Taubaté.

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