Alimentação, Saúde e Bem-Estar
A alimentação deveria ser uma das nossas maiores preocupações, pois é algo que fazemos todos os dias, nos sustenta e nos dá energia. A questão é: como torná-la prioridade, como fazer as melhores escolhas alimentares sendo que teoricamente temos cada vez menos tempo?
Quando gestantes, as mulheres são aconselhadas a ter uma dieta rica em frutas e verduras, e a evitar alimentos com muito sódio e açúcar. As gestantes também devem ingerir bastante líquido e são orientadas a cuidar do seu corpo e mente, afinal, ela está gerando uma nova vida. Esse cuidado com a saúde deveria acompanhar o indivíduo ao longo de toda a sua vida e se tornar um hábito, e não apenas parte das dietas milagrosas e dos projetos verão.
Por que é tão difícil lutar contra o sedentarismo, obesidade e doenças crônicas? Na minha percepção, a realidade de nosso e de muitos outros países é resultado de uma sociedade imediatista que associa comida com prazer e o bem-estar a compras, viagens e status. Não é prazeroso comer brócolis com arroz, enfrentar os problemas pessoais é difícil e as atividades físicas são doloridas e demandam tempo e força de vontade.
Além disso, temos que trabalhar, cuidar da casa, da família, ter amigos, sair com o cachorro, lavar a louça, decidir se vamos para a praia ou não, fazer compras, etc. Fora isso tudo ainda tenho que cozinhar? Meditar? Ir à academia? Não é muita coisa? Sim, é muita coisa e o tempo é o mesmo… temos 24 horas para fazer essas e outras tantas tarefas do nosso dia a dia. Como administrar isso? Vale a pena administrar? Não é mais fácil pedir uma pizza vendo televisão e no fim de semana beber para esquecer que você está frustrado com suas escolhas de vida?
Pelo que vejo todos os dias na UBS em que trabalho, mais fácil é, mas paga-se um preço alto para os seus custos e as consequências. A pandemia só acelerou o que já era uma tendência: o aumento da obesidade, depressão e doenças crônicas. Como evitar tudo isso? Com dedicação, organização e força de vontade.
Porque temos que ter muita força de vontade para não comprar aquela comida congelada ultra processada. Afinal, é mais fácil comprar uma lasanha do que cozinhar por 1 hora. Porque é difícil ter uma rotina de exercícios sendo que você tem poucas horas de descanso, e é doído se questionar se você está bem, se você nesse turbilhão de coisas, tem cuidado do seu emocional, de sua saúde mental.
É preciso desacelerar, buscar as coisas simples, fazer o básico, se afastar de pessoas e situações que nos fazem mal, de atividades que te exigem muito. Às vezes nós temos que rever o nosso comportamento. Vamos ter mais tempo e mais disposição para cuidar do que realmente importa se a gente tirar pelo menos um dia para descansar, sair com os amigos, ficar à toa.
Ir em busca de alimentos mais naturais e até mesmo orgânicos, por que não? Sair para correr depois de um dia estressante, tomar coragem e marcar um psicólogo, ligar para aquele amigo que faz tempo que você não conversa. Tenho certeza que aquela fila da farmácia iria diminuir muito se as pessoas se conscientizassem de que todos os dias temos várias oportunidades de escolha, desde a hora que levantamos até a hora que vamos dormir.
Não podemos mudar muitas circunstâncias externas, mas podemos mudar a nós mesmos. Podemos escolher a quantidade de água que ingerimos, os alimentos que comemos, ter relações de qualidade. Enfim, acredito que as pessoas seriam mais felizes e saudáveis se tomassem para si a responsabilidade pelas escolhas que realizam em suas vidas. Fácil não é, mas podemos tornar possível.
Gisele Paiva, ACS

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