Vacinação Covid-19: A Confusão em Relação às Vacinas e a Falta de Informação
No dia a dia, dentro da
rotina de imunização contra COVID-19, que começou há cerca de 2 meses, é
notório o quanto a insciência da população em relação às vacinas aplicadas; a
adesão às Fake News que circulam de maneira tão abrangente e rápida, e uma
falta de conteúdos acessíveis, para todas as idades, sobre cada uma das vacinas
aplicadas acabam se tornando um desafio a mais para os profissionais de saúde
que estão atuando na área.
Com o crescimento do uso
das redes sociais e um maior investimento nos meios de comunicações, existe uma
ligação mais fácil e rápida, que poderia ser utilizada e explorada pelos
profissionais de saúde para se ter maior acesso à população – o compartilhamento
de informações sobre as vacinas, datas e doses a serem aplicadas, os locais
onde serão administradas, os documentos necessários; responder às dúvidas mais
frequentes – são exemplos do que poderia ser feito para obter uma menor
proliferação de falsas notícias.
Um panfleto, ou até mesmo
uma orientação geral, também seriam uma maneira interessante de se endereçar a
esse problema. Aqui abaixo deixo algumas das informações mais relevantes com
base na minha experiência participando da campanha:
·
Os
documentos necessários:
RG; CPF; CNS (Cartão
Nacional de Saúde) e Comprovante de Residência
·
Quanto
às vacinas:
o
Coronavac (Butantan)
A 2ª dose deve ser
ministrada 30 dias após a 1ª.
Ela utiliza de uma das
metodologias mais antigas na produção de vacinas – a do vírus inativado: o
vírus é cultivado em laboratório e então é inativado por meio de agentes
químicos ou calor.
É uma estratégia muito
segura, já que o vírus é destruído no processo, mas seus “pedaços” ainda são
capazes de conferir imunidade à doença. Por isso, a pessoa que toma esse tipo
de vacina não desenvolve a doença por conta da vacina – o vírus está
essencialmente morto e é incapaz de se replicar.
Devido à sua grande
segurança, ela é uma vacina que pode ser utilizada até por pessoas que têm
deficiência no seu sistema imunológico.
o
Oxford (AstraZeneca em parceria com a
Fiocruz)
A 2ª dose deve ser
ministrada 90 dias após a 1ª.
Ela é produzida a partir
de uma tecnologia nova – a do vetor viral: a ideia por trás dessa nova
tecnologia é inserir uma parte do material genético de um vírus que causa
doença em humanos em um outro vírus completamente inofensivo ao homem, de modo
que o sistema imune, ao destruir esse vírus inofensivo, passe a produzir anticorpos
contra o vírus causador da doença.
No caso da vacina da
Oxford, a informação necessária para a formação da proteína Spike do coronavírus
– a responsável pela penetração do vírus em nossas células – é inserida em um
adenovírus de chimpanzé, que causa resfriados leves nos animais, mas é
inofensivo em humanos. Esse adenovírus é então enfraquecido, e assim o sistema
imune passa a reconhecer a proteína Spike como estranha e começa a montar as
nossas defesas.
Apesar de nova, já temos
vacinas aprovadas com essa metodologia (a do vírus ebola, por exemplo). É uma
estratégia segura, mas, por se tratar de um vírus vivo atenuado, enfraquecido,
pessoas com algum comprometimento de seu sistema imunológico não são indicadas
a receber essa vacina.
.
·
Locais,
horários e faixa etária:
Há uma instabilidade quanto
aos locais de vacinação, as datas e o início pertinente a cada faixa etária. O
cronograma é desenvolvido de acordo com a disponibilidade das remessas enviadas
ao Município pelo Ministério da Saúde e do Governo do Estado.
Isso acaba gerando uma
sobrecarga de pessoas no primeiro dia, um sentimento de desespero e propícia a
disseminação de informações cruzadas, de modo que há pessoas que entram na fila
muitas vezes sem ter a faixa correspondente, agravando ainda mais a situação
·
As
contraindicações:
o
Grávidas e lactentes (só podem tomar com
prescrição médica);
o
Pacientes que usam anticoagulantes
(precaução para evitar incidentes como hemorragias),
o
Pacientes com doenças reumáticas (devem se
atentar ao estágio da doença);
o
Crianças;
o
Pessoas alérgicas a algum dos componentes
da vacina;
o
Não tomar se estiver com febre;
o
Não tomar se estiver com alguma doença
aguda ou início agudo de doenças crônicas não controladas.
ATENÇÃO:
Pessoas que já foram infectadas pelo vírus da Covid podem e devem tomar a
vacina, mas somente 1 mês após terem sido diagnosticadas com a doença;
·
Reações:
As mais comuns são dores
no local da injeção, febre, fraqueza e dores musculares, mas passam
rapidamente, são apenas respostas do seu sistema imune à vacina, o que não
significa que você está com Covid-19.
·
Para
quem está acamado:
É necessário a realização
de um pré-cadastro e uma comprovação por escrito de um médico. Em algumas cidades
é realizado o agendamento na vigilância epidemiológica, em outras por telefone.
Deve-se entrar em contato com a UBS/ESF ou PAMO mais próximo da sua região para
mais informações.
Quando for tomar a 2°
dose é preciso levar o canhoto que foi entregue na 1° dose e o RG com CPF apenas. Vale
ressaltar que, ao se tomar a 1° dose da Coronavac, a 2° dose também deverá ser
da Coronavac, respeitando o prazo correto entre as doses. Analogamente, o mesmo
conceito se aplica à vacina da Oxford.
Caso aconteça de se tomar
uma dose de uma vacina e uma dose de outra, o melhor a fazer é tomar a 2ª dose
de uma dessas vacinas, dentro do período indicado pelo fabricante, de modo a
completar o ciclo de um dos imunizantes, visto que ainda faltam evidências
científicas do que pode acontecer nessa situação.
Informações como essas
facilitam a vida dos profissionais, e precisam ser entregues a toda população,
da mesma forma massiva com a qual se disseminam as informações falsas, já que, conforme
as faixas etárias vão diminuindo, há um maior fluxo de pessoas e mais impasses
surgem.
Carolina
Fonseca Monteiro

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