Saúde Mental, Solidão e Resgate da Simplicidade
Pouco mais de um mês após a pandemia de COVID-19 completar um ano - O primeiro caso confirmado no Brasil foi em 26 de fevereiro de 2020 - começo a refletir sobre as mudanças que ocorreram em nossa vida por conta da disseminação do vírus.
Somos seres sociais e estamos inseridos em uma sociedade com cultura e costumes com a qual buscamos nos relacionar. Nos conectamos com familiares, amigos, crenças e grupos com os quais nos identificamos e buscamos neles um refúgio e força para enfrentarmos as dificuldades do dia-a-dia.
Esses laços eventualmente se rompem, por um motivo ou outro, e isso não é algo que é aceitado, naturalmente, sem dor ou desconforto por nós. E se esses laços fossem rearranjados ou rompidos tão bruscamente a ponto de não conseguirmos nos recuperar? Foi isso o que a COVID nos trouxe - uma angústia por não saber se nossas pessoas queridas, e inclusive nós mesmos, vamos conseguir sair saudáveis física e mentalmente dessa guerra sanitária.
Idosos tiveram que aprender a usar a tecnologia para combater a solidão; tivemos que buscar nos exercitar em casa para não ficarmos sedentários; Compras de comida e alimento no delivery... quem nunca fez isso antes, fez agora na pandemia.
É nessas horas que aquela teoria de Darwin de que não é o mais forte quem sobrevive, mas o que melhor se adapta ao ambiente, passa a fazer, para mim, ainda mais sentido. Quem insiste em tentar viver como antes, quem nega o que está acontecendo, sofre. Sofre porque a realidade é concreta, não tem opiniões, partidos políticos, curas milagrosas - a realidade é o que é, e é preciso aceitá-la e compreendê-la se quisermos avançar.
O negacionismo trás consigo manipulações, mentiras e especulações. A verdade, por sua vez, muitas vezes é cruel e dói: dói saber que estamos com falta de leitos, dói saber que tivemos dias em que mais de 3 mil brasileiros morreram vítimas do vírus. Dói, mas é preciso saber, é preciso absorver e compreender, e, como diria a famosa monja budista Coen, "é preciso agir para transformar" - somente com uma ação positiva e transformadora sairemos mais fortes e humanos dessa pandemia.
É preciso se informar em fontes confiáveis, é preciso conscientizar o máximo de pessoas possível, é preciso acolher e compreender a dor do outro e é preciso resgatar aqueles valores tão simples que nos faz humanos - somos seres inteligentes e fomos capazes de dominar a natureza e transformar o mundo, que usemos, então, a nossa inteligência, a nossa solidariedade, o nosso amor e o nosso poder de ação e transformação a nosso favor, não contra nós e contra as nossas vidas.

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