Carla Diaz, Faustão e Câncer de Tireoide
Câncer sempre é tema de atenção e preocupação para qualquer um hoje em dia, e, aproveitando o ensejo e a entrevista da Carla Diaz no Faustão, que venceu o câncer de tireoide, me motivei a dividir algumas informações sobre o tema e sua prevenção.
O maior motivo da existência da Atenção Básica à Saúde (ABS) é a conscientização, detecção e prevenção de patologias que venham a levar a maiores transtornos e perda de qualidade de vida aos cidadãos brasileiros no futuro.
Há outros benefícios que também advém da ABS, mas são mais indiretos e difíceis de se perceber no curto prazo, como:
· Maior disponibilidade de recursos para tratamentos mais complexos no futuro;
· Disponibilidade de recursos para pesquisa de melhores tratamentos, vacinas e terapêutica das doenças atuais;
· E o mais difícil de se perceber, melhora da qualidade de vida e aumento do potencial de vida futuros.
Dito isto, vale à pena falarmos um pouco sobre a tireoide. A tireoide é um órgão cuja ação é essencialmente endócrina (produzir e secretar hormônios). Ela se localiza na região do pescoço, abaixo da cartilagem cricoidea, entre a porção medial dos músculos esternocleidomastoideos, superior a fúrcula, ou, no bom e velho português, logo abaixo do "gogó" ou "pomo de Adão".
Uma tireoide normal, em um adulto, pesa de 15 a 25 gramas, não é perceptível ao olho nu e é preciso de muita atenção para poder senti-la à palpação.
A tireoide é órgão responsável por produzir os hormônios tiroxina e triiodotironina (T4 e T3 respectivamente), que são responsáveis pelo controle do metabolismo celular de todo corpo.
Em suma, a falta desses hormônios leva a um quadro de cansaço, lentificação e aumento de peso – o hipotireoidismo; enquanto seu excesso leva a um quadro de alta atividade, sudorese, palpitação e perda de peso - o hipertireoidismo.
O bócio, ou o aumento da tireoide, pode ser decorrente de uma baixa ingesta de iodo na alimentação ou até mesmo de sua ausência. Esse problema era mais comum no passado e fez com que se fosse obrigatório a adição de iodo ao sal de cozinha no Brasil.
Além da deficiência de iodo, o hipertireoidismo também pode levar a um aumento da tireoide, assim como uma tireoidite (inflamação da tireoide), ou até mesmo um câncer.
Falando um pouco sobre os cânceres e tumores da tireoide, o nódulo solitário da tireoide é um inchaço nítido, palpável, em uma glândula aparentemente normal. A maior preocupação das pessoas é que esses nódulos sejam um câncer ou, no termo que usamos, uma neoplasia maligna.
Com o advento da ultrassonografia, houve maior incidência dos achados de nódulos de tireoide, sendo que nem todos são considerados neoplasias malignas, podendo até mesmo serem benignos. Por isso é necessária a avaliação de um médico, para que se conseguir determinar o tipo de alteração que o paciente possui.
Os tipos de neoplasias que podem surgir são diversos: adenomas e outros tumores benignos, e os carcinomas (papilífero, folicular, medular, anaplásico), que são os tumores malignos.
Cada uma dessas alterações possui suas próprias características e melhor forma de tratamento. O surgimento dessas alterações é ligado a tanto fatores genéticos quanto fatores do ambiente (exposição a radiações de trabalhadores, por exemplo).
O médico atendente irá de solicitar um ultrassom, para conseguir identificar o número e a localização exata dessas alterações para que seja possível a realização de biópsias dessas lesões. As biópsias serão então analisadas pelo médico patologista, que consegue, na grande maioria das vezes, identificar o tipo de exato de alteração dessa tireoide.
A partir dessa análise do patologista, o médico atendente avalia o estágio da doença e, junto ao paciente, determina os tipos de tratamento, sejam eles medicamentosos, cirúrgicos, ou uma combinação de ambos.
Por fim, será preciso um acompanhamento do paciente, para se avaliar os impactos em sua saúde, se houve resolução do quadro ou se houve uma nova alteração no órgão.
Quanto mais cedo forem detectados e menores forem o tamanho dos tumores, melhor é o resultado e as chances de cura. Por isso, visitem seu médico de família - sua saúde vem sempre em primeiro lugar, e nós queremos ver muito mais histórias como a de Carla Diaz.
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Lyu Saotome,
Interno do 5º ano da Faculdade de Medicina de Taubaté

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